November 08, 2009

Desespero Intelectual


October 23, 2009

Dúvida cruel

Em busca do presente perfeito para o aniversário de 30 anos que se aproxima em alta velocidade.

Alguma sugestão?

October 20, 2009

E então ele me viu chorar

Na quinta-feira passada aconteceu algo muito triste. Minha amiga, aquela que ajudei muito durante sua gravidez, aquela que teve tanta dificuldade em admitir o quanto queria ser mãe, teve sua filhinha prematura, apenas seis semanas e, por uma sucessão de erros médicos, sua bebêveio a falecer, com apenas 5 dias de vida.
Mal havia eu me recuperado desse choque horrivel e ontem recebo a notícia dramática de que meu grande amigo de adolescencia Lucas da Rosa teve um enfarte aos 31 anos de idade e morreu enquanto dormia.
Não tenho palavras para expressar meu choque. O lucas era genial. Não ele não fumava, sempre foi super magrelão e praticava muitos esportes. Era percussionista do delicioso conjunto Quatro a Zero e estavam estourando por aí.
Na minha baixa adolescencia tinhamos uma banda até que bastante competente, a Sweet Sixteen, onde cantavamos Queen, Kiss, e afins e nos divertíamos pelos domingos a fora na garagem do Dadá.
Ainda me lembro como se fosse ontem o dia em que veio a polícia averiguar a algazarra e do olhar dos policiais, tentando ver se estavamos alcolizados ou chapados: adolescente se divertindo só poderia envolver alguma coisa ilícita. Mas não estavamos. Éramos mesmo fascinados pelo poder lúdico da música. Fizemos shows grandes, rimos, acampamos, inventamos versões power para sons velhos até que cada um seguiu seu rumo.
O Lukito, como o chamávamos naquela época, começou a estudar música em Floripa, mas logo viu que tinha mesmo é que se especializar em Percurssão e se mandou pra Unicamp, onde se formou, fez mestrado e conheceu seus companheiros do conjunto que despontou, sendo um dos finalistas do prestigiado Prêmio Visa como melhor batera do Brasil.
Nós nunca mais nos falamos, mas o Lucas permaneceu ali, naquele lugar especial da memória, como uma das pessoas mais sorridentes que já conheci em todas as minhas andanças; uma das mais amigas, uma das mais tranquilas, uma as mais queridas, aquele tipo de gente que te faz consolidar uma enorme esperança na expansão das coisas boas do mundo. E eu vibrava muito ouvindo seu som e ao saber de seus feitos. Recentemente, numa das minhas idas ao Brasil, nos encontramos e nos abraçamos como se ainda tivéssemos 16 anos. How sweet friendships are!
Are't we supposed to grow old, and make music to cheer the world, and love, and see our children falling in love?
Inexplicável.

October 19, 2009

O que o Pessoa me faz Saber


O GUARDADOR DE REBANHOS II
Aberto Caeiro (Fernando Pessoa)
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar…